Sobre a abordagem Fenomenológico-existencial

O que sustenta este encontro?

Por trás de cada encontro clínico existe uma maneira de compreender a pessoa e sua existência. A Psicologia Fenomenológico-Existencial é a perspectiva que orienta meu trabalho e sustenta a forma como escuto e compreendo cada experiência.

A Psicologia Fenomenológico-Existencial tem suas raízes na fenomenologia de Edmund Husserl e dialoga com diferentes caminhos da filosofia da existência, especialmente nas obras de Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty. Na psicologia clínica, esse pensamento encontrou diferentes formas de desenvolvimento em autores como Ludwig Binswanger, Medard Boss, Rollo May, Irvin Yalom, entre outros.

Essa tradição parte de uma compreensão da pessoa a partir de sua existência concreta: da maneira singular como cada um vive, percebe o mundo, estabelece relações, faz escolhas e se posiciona diante das situações que encontra. Não se trata de compreender alguém apenas a partir de características ou categorias previamente estabelecidas, mas de nos aproximarmos de sua experiência tal como ela é vivida.

Nossa história participa de quem somos, mas não determina inteiramente quem podemos ser. Ao longo da vida, nos deparamos com possibilidades, limites, escolhas e acontecimentos que nem sempre estão sob nosso controle. Ainda assim, somos constantemente convocados a nos posicionar diante deles e a construir, dentro das possibilidades que temos, nossas próprias maneiras de viver. A existência, nessa perspectiva, não é algo pronto: ela se constitui no próprio viver.

Na psicoterapia, o olhar se volta para essa experiência vivida. Em vez de partir de respostas prontas sobre como você deveria pensar, sentir ou agir, buscamos compreender como você tem experimentado sua vida e os sentidos que suas escolhas, relações e circunstâncias assumem para você.

Esse modo de olhar, inspirado na tradição fenomenológica, procura colocar entre parênteses explicações prévias e aproximar-se daquilo que se mostra na experiência. Isso permite dar atenção ao que muitas vezes passa despercebido no cotidiano: modos de viver que se tornaram habituais, escolhas que já não parecem fazer sentido, possibilidades que foram deixadas de lado ou conflitos que continuam atravessando sua existência.

A perspectiva existencial também nos lembra que viver envolve possibilidades e limites, liberdade e responsabilidade, encontros e desencontros, vínculos, escolhas e a inevitável condição de sermos seres finitos. Não escolhemos todas as circunstâncias que encontramos, mas nossa existência se constrói também na maneira como nos posicionamos diante delas.

A psicoterapia pode, então, tornar-se um espaço para compreender sua relação com aquilo que você vive e, a partir dessa compreensão, reconhecer possibilidades de se posicionar diante da própria existência de maneira mais consciente e própria.

É nesse encontro entre duas existências — a de quem procura ajuda e a de quem se dispõe a acompanhá-la — que a psicoterapia acontece.